
A recuperação da Bovespa deve ser maior enquanto o mercado aguarda a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) sobre a taxa básica de juros no país. O anúncio deve acontecer às 15h15 (de Brasília) e espera-se um corte de 1 ponto porcentual, o que levará a taxa básica americana para 2% ao ano.
O clima hoje é de recuperação técnica nas bolsas mundiais, mas ainda dentro da tendência de alta volatilidade que tem sido a tônica dos negócios. Ou seja, o cenário continua pouco amigável.
A correção técnica, que começou pelas bolsas da Ásia e estende-se pelas bolsas dos EUA e da Europa, é influenciada também pelos balanços melhores do que o esperado anunciados pelos bancos Goldman Sachs e Lehman Brothers, cujas ações subiam 6% e 13%, respectivamente em Wall Street.
O Goldman Sachs informou que o seu lucro caiu pela metade, 53%, no primeiro trimestre fiscal (encerrado em 29 de fevereiro) para US$ 1,51 bilhão, mas ficou acima das previsões, o que melhorou um pouco os ânimos.
O banco informou que teve uma perda líquida com hipotecas residenciais de U$ 1 bilhão. Já o Lehman Brothers, que ontem foi alvo de muitos boatos sobre a sua saúde financeira, anunciou lucro líquido de US$ 489 milhões no trimestre, equivalente a um ganho por ação de US$ 0,81 ante previsão de US$ 0,72. As baixas contábeis líquidas somaram US$ 1,8 bilhão.
Mesmo que o Fed confirme as expectativas de corte dos juros hoje à tarde, há dúvidas quanto à eficácia desse remédio e a decisão tende a ser vista como uma rendição do BC americano à vontade do mercado. O clima de incerteza deve se manter com os investidores desconfiados da solvência de outras instituições financeiras, por causa da contração no mercado de crédito.
Na Bovespa, a recuperação deve atingir as ações de maior liquidez, que ontem foram as que mais sofreram, com os investidores estrangeiros desmontando posições aqui para cobrir perdas lá fora ou para buscar refúgio em ativos mais seguros.
As ações ordinárias da Vale desabaram 6,06%, maior desvalorização do Ibovespa. Petrobras ON e PN caíram 5,3% e 3,79%, respectivamente. Hoje, a alta do preço do petróleo pode ajudar a repor um pouco as perdas de ontem de Petrobras. Às 10h19, Petrobras PN (preferenciais) subia 1,79% e ON (ordinária) avançava 2,02%. Vale PNA registrava alta de 2% no mesmo horário.
Dólar cai
Por aqui, o mercado de câmbio acompanhou ontem as tensões e manteve as cotações do dólar em alta pelo terceiro pregão consecutivo. Já, nesta terça-feira, às 12h12, o dólar registrava queda de 0,99% e era cotado a 1,707.
Internamente, o mercado "relativiza" o estresse internacional. As autoridades, os agentes financeiros e organismos internacionais continuam afirmando que os países emergentes estão se saindo bem perante as turbulências e, entre eles, o Brasil é um destaque positivo.
Ainda assim, começam a admitir que a situação é de maior tensão do que previsto e que os efeitos disso serão sentidos. Até o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse, ontem, que a crise "a cada dia parece um pouco maior". E acrescentou que "alguns começam a falar numa crise parecida com a de 1929".
Nenhum comentário:
Postar um comentário